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Momentos Especiais PDF Imprimir E-mail
Escrito por Miyagi   
Dom, 12 de Julho de 2009 20:36

 

               Nesta casa de jogos de formas infinitas,

Eu também joguei,

E aqui eu pude vislumbrar aquele que não tem forma.                                  (Tagore)    

       

"Vale dizer ainda que como praticamente todas as outras expressões de cultura africana no Brasil, a capoeira foi relegada a uma categoria de somenor importância, tendo sido negligenciada pelos intelectuais do Brasil Colônia e do Brasil Império e tratada como crime no período republicano de nossa história. Inscrita como prática da vadiagem no código penal brasileiro, a capoeira sofreu o estigma da violência e prevaleceu sobre ela uma ação de repressão por parte do estado e temor por parte da população. Como a pratica da capoeira era impetrada por africanos e seus descendentes, ela ficou conhecida como luta, dança ou esporte de negro – daí o motivo de sua freqüente e continuada desvalorização."

 

     "Além do que, a capoeira como arte da remandiola, é mestra na simulação e dissimulação, na volta e reviravolta."

     "Aí é preciso muito mais que destreza, preparo físico, dedicação, treino, habilidades etc.; aqui é preciso coragem para enfrentar seu monstro interno; lidar com seus limites, adentrar na floresta escura que é seu espírito/corpo."

      "...é um jogo. Um jogo de equilíbrio e desconstrução. De desequilíbrio e construção."

     "...é um jogo de sedução. Para isso utiliza-se da teatralização, da ginga, da beleza, da estratégia, da leveza, da sensualidade, da mandinga, da malícia para seduzir o outro. É um jogo de sedução do Outro, por isso, como possibilidade mesma dela existir, ela é um jogo de inclusão, visto que precisa inexoravelmente do Outro para vir a ser."

 

"A ginga é uma mescla de malícia, de sedução, de brincadeira, de domínio do corpo de desequilíbrio e equilíbrio, é uma desconstrução do corpo dançante e uma construção do corpo do angoleiro."

 

“O Mistério do Mundo

Ah, tudo é símbolo e analogia!
O vento que passa, a noite que esfria
São outra coisa que a noite e o vento –
Sombras de vida e de pensamento.

Tudo o que vemos é outra coisa.
A maré vasta, a maré ansiosa,
É o eco de outra maré que está

Onde é real o mundo que há.
Tudo o que temos é esquecimento.
A noite fria, o passar o vento,
São sombras de mãos, cujos gestos são
A ilusão madre desta ilusão”

 (Fragmento VI de O MISTÉRIO DO MUNDO de Fernando Pessoa)

 

Os trechos deste texto são parte da tese de Doutorado em Educação Brasileira da FACED-UFC: Filosofia da Ancestralidade: educação e experiência africana no Brasil, do meu amigo Eduardo David de Oliveira, um apaixonado pela experiência africana. Nesta tese ele trata especificamento da capoeira angola, que eu tomei a liberdade de relacioná-la com a Associação Internacional de Capoeira Nação. 

Os momentos abaixo foram captados de maneira brilhante pelas lentes de nosso Leo Silva. 

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Última atualização ( Sex, 14 de Agosto de 2009 12:55 )